Antonio Maia
1928 – 2008
Sergipano nascido em Carmópolis, o artista foi servir a nação como soldado da Aeronáutica em Salvador antes de chegar ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil, aos 27 anos. Foi no Rio de Janeiro que sua obra começou a tomar forma, dizem, espontaneamente. Sua presença no cenário das grandes exposições nacionais e internacionais, com participações consecutivas nas mais importantes Bienais de São Paulo, foi muito marcante. Desde sua participação na 8ª Bienal Internacional de São Paulo em 1965 e da 9ª edição do mesmo evento em 1967, ele se consagrou como um nome relevante da arte no país.
Antonio Maia expressou a profundidade do inconsciente e da alma brasileira ao gravar em sua obra os arquétipos da religiosidade nordestina por meio dos objetos votivos e de um rico universo de símbolos mágicos, comparáveis às figuras do tarô. Sua obra é única e de difícil enquadramento. Porém, embora haja uma “limpeza formal” e a construção elegante de um reducionismo “primitivo”, quase concreto em sua pintura, é evidente o quanto a sua liberdade poética, a sua subjetividade emocional o coloca num campo contrário ao racionalismo impessoal do abstracionismo geométrico ou do concretismo. O artista queria uma comunicação mais direta com seu público brasileiro para o qual a realidade vem sempre acompanhada de emotividade, formas arredondadas e é repleta de mistérios.
O principal elemento nordestino que dá figuração em suas obras são as mãos e cabeças de ex-votos, que nos interiores do Brasil são promessas ou oferendas religiosas depositadas em igrejas como um agradecimento por uma graça recebida. Seus ex-votos, tema totalmente nosso, demonstram o mesmo tipo de cabeça elíptica de intuição formal afro-brasileira, tal como foram estudados por Luis Saia, a partir das Missões de Pesquisas Folclóricas organizadas em 1938 por Mário de Andrade.
Antonio Maia é “um artista tipicamente brasileiro, moderno, que usa o popular como matéria de expressão. Não será descabido aproximá-lo a Tarsila do Amaral, embora nele, o componente popular esteja mais próximo das fontes”. - Ferreira Gullar, Arte Contemporânea Brasileira, 1969
Principais exposições
– 1963: 20ª Exposição Salão Paranaense de Belas Artes, na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, PR.
– 1965: 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal, em São Paulo, SP.
– 1967: 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal, em São Paulo, SP.
– 1972: Exposição Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collection, em São Paulo, SP.
– 1976: 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em São Paulo, SP.
– 1982: Brasil 60 Anos de Arte Moderna: Coleção Gilberto Chateaubriand, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, em Lisboa, Portugal.
– 1982: Participação na mesma exposição, na Barbican Art Gallery, em Londres, Reino Unido.
– 1983: 6º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), no Rio de Janeiro, RJ.