Mieko Ukeseki
1946
Mieko Ukeseki (1946, província de Mie, Japão) iniciou sua trajetória artística longe da cerâmica: trabalhava como professora em uma escola de enfermagem em Nagoya quando, em 1970, casou-se com o ceramista Toshiyuki e começou a se interessar pela arte do barro. Aprendeu a lidar com os fornos noborigama, de alta temperatura, construídos em declive para propiciar melhor circulação do calor no processo de queima, e mergulhou de vez no universo da cerâmica japonesa.
Na década de 1970, mudou-se com o marido para uma pequena aldeia de ceramistas na província de Fukuoka, onde conheceu o ceramista português Alberto Cidraes, que convenceu o casal a se juntar a ele no Brasil para criar uma comunidade de artistas de cerâmica, em plena liberdade artística e com forte caráter de experimentação. Assim, em 1975, nasceu a comunidade de ceramistas de Cunha, hoje o polo com a maior concentração de fornos noborigama tradicionais japoneses na América do Sul.
Durante os primeiros anos no Brasil, Mieko desenvolveu sua arte marcada pelas premissas do movimento moderno japonês Mingei, que propunha a revalorização e releitura do artesanato tradicional japonês sob a ótica da experimentação artística. Com o tempo, sua linguagem foi se transformando: o processo artístico ganhou espaço em relação ao utilitário, resultando em formas estilizadas nas quais se percebe a inspiração da natureza e a mão precisa do artista, mas não excessivo.
O trabalho de Mieko Ukeseki é um poema da leveza. Seu conceito de equilíbrio se faz presente inclusive em estruturas interativas, nas quais o observador se torna participante e pode alterar o posicionamento de elementos, compondo sua própria experiência. Suas obras partem do barro para atingir formas universais que parecem flutuar no espaço em busca do aconchego da alma humana, consolidando Mieko como uma das ceramistas japonesas mais relevantes da cena artística brasileira.